domingo

     




"(... )Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. (...)Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer. "

quarta-feira



Ela continuava sentada no banco velho de jardim a espera que ele aparecesse tal como lhe prometera inúmeras vezes. Mas ele não veio, ela não se foi embora e o sentimento teimava em permanecer. Passou horas a olhar o vazio na esperança que ele chegasse e lhe dissesse que a amava, que queria ficar com ela para sempre e que lamentava não ter chegado mais cedo prometendo que nunca mais iria a lado nenhum. 
Já anoitecera e ela continuava a espera, agora com lágrimas no olhos, decidindo que seria a última vez que esperaria por ele; apartir daquele dia seria ele a mostrar-lhe que a desejava mais que tudo e seria ele que esperaria dias infinitos por ela.
Ela levantou-se, secou as lágrimas e abandonou o jardim, aquele jardim onde ela tinha decidido esquece-lo da forma como o conhecia!

No entanto,continuou a viver como se nada lhe pudesse estragar aquele momento que pertencia ao sonho que lhe tinha sido iludido enquanto miúda ainda!g


Um dia, o sonho virá e trará tudo o que, pela pesada passagem dos ponteiros e rotineira esperança de vida, nos foi levado para bem longe das vivências, muito para além das recordações (:


Albufeira - de 27.06 a 02.08